Em 2015 eu fiz 25 anos.

No meu precário planejamento de vida, feito sem muito cuidado ou apreço durante os sonhos da adolescência, 25 anos era a idade com a qual eu me casaria. Com 25 anos eu estaria no ápice da minha vida adulta, no melhor do meu vigor físico, na melhor fase de minha carreira… Ingenuidade minha.

Não posso dizer que não estive no meu melhor. – Acredito que todo dia estamos no nosso melhor, somos um pouco mais que ontem. Mais maduros, mais experientes. – mas 2015, o ano dos meus 25 anos, foi na verdade o ano em que eu, finalmente, me conheci.

Bastou um exame médico com um resultado inesperado para eu decidir deixar de lado aquela imagem idealizada que eu tinha do que “queria” ser. Consegui realizar que, na verdade, tudo pelo que eu tinha trabalhado por ser não tinha nada a ver comigo. Foi preciso meu corpo começar a dizer chega para eu ir buscar o que realmente faz sentido na minha vida, no meu coração.

Weniger aber besser

Nesse processo de me encontrar, de me conhecer, o conceito máximo que esteve em minha mente – e ainda está – é o essencialismoSlow livingComo você preferir.

“Weniger aber besser” – o famoso menos é mais.

É o dar valor ao que tem valor de verdade. É o estar presente. É o estar consciente. Ter o necessário, não o excesso. O apreciar a beleza de cada instante, de cada cheiro, sabor, sorriso, olhar, cor, paisagem. É refletir no final de cada dia e se sentir satisfeito com o que se fez, com onde se está. Tendo a certeza de que ao final da vida, você vai poder olhar para trás e saber que aproveitou essa jornada incrível da melhor forma que poderia.

Um segundo conceito que chegou um pouco depois foi o deboísmo.

A primeira vez que ouvi essa palavra demorei bastante para entender o que significava. Precisei que me explicassem o conceito do ficar de boa, no matter what. E depois daquele instante eu passei a aceitar que esta tudo bem.

It's OK

Tudo bem se voce não conseguir, tudo bem se não te aceitarem do jeito que você é, tudo bem se você não gosta, tudo bem, inclusive, se você simplesmente não quer. Eu tenho esse direito sabia, de não querer. E você também tem. Aprender a dizer “não” foi algo que, provavelmente quem me apresentou ao deboísmo nem tinha a intenção de me ensinar, – nem ao menos sei se ele sequer notou a relação entre um e outro – mas foi um dos aprendizados mais lindos de 2015 para mim. Está tudo bem. Não, obrigada.

No final de 2015 eu olhei para trás e vi o ano em que eu fui morar com o amor da minha vida, assim, sem papel assinado, sem festa, sem cerimônia. Eu vi o ano em que eu larguei meu emprego para cuidar da casa, cozinhar e estudar cerâmica. O ano em que eu larguei mão da academia e fui fazer yoga. Virei mãe de gatos, me aproximei dos meus amigos, da minha família. Voltei a ver cor na vida, mesmo descobrindo uma paixão inabalável por branco, cinza e nude. 2015 foi incrível.

Cynthia Sarmento

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