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Sobre processos criativos

Mas, porquê cerâmica?

By | O universo da cerâmica, Sobre processos criativos, The way I am | 6 Comments

Eu nem sei mais a quantidade de vezes que já me fizeram esta pergunta. Por isso resolvi contar aqui para vocês um pouquinho da minha trajetória e o porquê eu, hoje, faço cerâmica. Onde tudo começou… Eu venho de uma família de fazedores. Sempre tivemos uma oficina no fundo do quintal, ou um quartinho, um cantinho das “tralhas” quando moramos em apartamento. Tinha ferramentas de marcenaria, elétrica e mecânica em geral. Em casa também sempre teve máquina de costura, tecidos, tintas e papéis. Tesouras e acabamentos sem fim, de glitter a ilhós, de stencil a silkscreen. Spray, pincel… Sempre! Dá para imaginar que eu tive uma infância feliz, cheia de lápis de cor e revistas recortadas. Logo que eu nasci, minha mãe dava aulas de artesanato (caixinhas decoradas) e pintura em porcelana na mesa da varanda de casa. E assim foi. Eu dividia meu tempo entre aventuras no quintal, desenhos infinitos no verso dos maços de relatórios da Bosh e as aulas de ballet. Ah o Ballet! Dançar está nas minhas veias desde o baby class, com 2 anos de idade… Esse amor acompanhou as aulas de artes no colégio, onde pintei meu primeiro quadro. Depois continuou presente quando fiz meu primeiro curso de decoração de interiores no SENAC. A dança só começou a ir embora quando entrei na faculdade de Design. Foi na faculdade que eu me apaixonei por fotografia. Não por tirar fotos, mas pelas fotos em si. Me apaixonei também pela oficina de marcenaria, pelo desenho de produtos, pelos projetos em CAD (3D)…. Quando tudo desandou… Foi ali, no meio da faculdade, que eu percebi que alguma coisa estava errada. Eu tinha parado de dançar para poder me dedicar aos estudos, mas na verdade, antes do design eu queria mesmo é ter feito faculdade de dança. Tive…

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Sobre a magnitude que é escrever.

By | Sobre processos criativos, The way I am | No Comments

Este ano tem sido, até o momento, incrivelmente introspectivo para mim: uma pessoa que não sabe ficar de boca fechada. Para quem convive comigo e está lendo este post esta minha colocação pode até ser motivo de grandes gargalhadas, mas eu explico. Este ano eu tenho ficado mais comigo mesma. Com certeza esta coisa toda de não estar trabalhando fora, de ter o dia todo por minha própria conta e risco de ter, por boa parte do meu tempo, a companhia  “apenas” dos gatos ou do assento de passageiro vazio dentro do carro, é o que mais contribui para eu estar mais comigo mesma. Sendo praticamente obrigada a conviver comigo, com meus pensamentos, com minhas vontades, meus conflitos… Esse negócio de se ter como a própria companhia nunca foi algo possível na minha vida. A casa dos meus pais sempre foi cheia de gente, cheia de barulhos, cheia de coisas, cheia de mais e eu, de certa forma, aprendi a viver no meio de tudo e todos. Nunca 100% satisfeita, mas sem conhecer nada diferente, eu fui criando mecanismos de fuga para uma provável necessidade que eu tinha de ficar sozinha, quieta no meu canto, mas que nunca soube que tinha o direito de ter. Minha principal ferramenta sempre foi escrever. Eu era a garota dos diários. Eram diários de contos e fábulas, diários de sonhos, diários de dramas e paixões, diários de amizades perdidas, de medos, de vontades, de sonhos… Esses dias estava olhando meu livro de alemão que usei quando estava estudando lá do outro lado do oceano e, no meio das folhas soltas com exercícios e redações encontrei uma que não pertencia àquele universo. Eu li e, para começar, estava em português, depois, era algo tão singelo e tão sensível que se não estivesse escrito na minha própria letra…

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Mãos presentes.

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Me deixe te contar uma história. Era uma vez uma garota que cresceu aprendendo de tudo. Teve muitas oportunidades, fez natação, artesanato, computação. No colégio foi representante de turma, teve aulas de teatro e robótica. Em resumo, era a cultura em pessoa. A potencialidade em pessoa. Ela aprendia tudo, muito rápido. Bom, tudo o que interessava… O que não era pouca coisa. Um belo dia ela teve que escolher uma única coisa. Ela faria uma prova e teria que estudar por alguns anos esse único assunto e depois isso seria o que ela faria para o resto de sua vida (cof!). Ela não soube o que fazer. Não tinha nada assim… que ela quisesse escolher para o resto da vida. Ela optou pelo que algumas pessoas disseram que era a cara dela, fez a prova e estudou aquilo. No meio daqueles anos em que deveria se dedicar unicamente a esse aprendizado, ela cansou. Ela se deparou com pontos que contradiziam muito suas crenças pessoais, ela ia mudando, naturalmente, e as coisas muitas vezes foram ficando fora do ela queria para si. Foi ela, então, estudar de tudo um pouco novamente, conhecer o mundo e as coisas. Conhecer as pessoas. Um dia disseram para ela que teria que  trabalhar, justamente ela, que nunca precisou fazer nada em casa. Ela ja tinha trabalhado em colônias de férias no verão ou na loja do shopping para juntar uns trocos e não precisar pedir pro pai. Mas agora o mundo dizia que ela precisava se sustentar, ganhar dinheiro “de verdade”. Ela então foi trabalhar com aquele tema específico que tinha estudado um pouco naqueles anos subsequentes à escolha. A contragosto, se quer saber. Eventualmente precisou voltar a estudar mais sobre ele pois as pessoas ainda cobravam dela um papel. Um papel que dizia que ela tinha…

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