O primeiro dia de feira

By O universo da cerâmica 2 Comments

“Eles dizem a que vieram.” Acho que a primeira coisa que eu quis ser na vida foi bailarina. Minha mãe conta que, quando pequena, eu só andava na pontinha dos pés. Isso lá com meus 2 anos de idade. Era um hábito tão frequente que ela achou que eu estava com algum problema motor, me levou no médico e esse, na sua experiência, olhou para mim e disse: Querida, ande com os pés inteiros no chão – e eu andei. Nenhum problema, mãe. Mas a vida passa, como areia escorrendo no meio dos dedos. E nesse escorrer do tempo e das coisas eu quis ser veterinária, bióloga marinha, cantora, paquita, química, estudiosa de filosofia, engenheira mecânica… Não necessariamente nessa ordem – tanta coisa que nem lembro mais. Acabei estudando para ser designer. De que, eu nem sei. De moda, gráfico, de produto, automobilístico (oi?). Na verdade eu não queria nada disso, sabe. Eu só estava no fluxo do mundo, tendo que escolher minha vida num catalogo que me deram no cursinho preparatório do famigerado vestibular. Aquela provinha que “avalia” o seu “conhecimento” sobre várias coisas que você jamais usará na vida… Sad, but true my friend. Meu irmão chama esse correr atrás de coisas que não fazem sentido de verdade para você de “remar conforme a maré”. Mas a vida da voltas, babe. E quando a gente se abre para as possibilidades assim, de peito aberto, e disposto a aceitar o que der e vier com um sorriso no rosto e as mangas levantadas, o universo conspira. Eu larguei os bets. Eu resolvi que não dava mais. Eu descobri que trabalhar num escritório, 8 horas por dia ou mais, na frente de um computador, fazer tarefas repetitivas… Ah! Isso tudo era uma violência contra mim mesma. Saí! Saí mesmo, assim, sem mais nem menos, sem nem saber o que é que eu ia fazer. E eu fui la fazer as aulas de cerâmica que estava querendo a um bom tempo, por hobby mesmo. Eu gostei. Gostei tanto…

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