Sobre a magnitude que é escrever.

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Este ano tem sido, até o momento, incrivelmente introspectivo para mim: uma pessoa que não sabe ficar de boca fechada. Para quem convive comigo e está lendo este post esta minha colocação pode até ser motivo de grandes gargalhadas, mas eu explico. Este ano eu tenho ficado mais comigo mesma. Com certeza esta coisa toda de não estar trabalhando fora, de ter o dia todo por minha própria conta e risco de ter, por boa parte do meu tempo, a companhia  “apenas” dos gatos ou do assento de passageiro vazio dentro do carro, é o que mais contribui para eu estar mais comigo mesma. Sendo praticamente obrigada a conviver comigo, com meus pensamentos, com minhas vontades, meus conflitos… Esse negócio de se ter como a própria companhia nunca foi algo possível na minha vida. A casa dos meus pais sempre foi cheia de gente, cheia de barulhos, cheia de coisas, cheia de mais e eu, de certa forma, aprendi a viver no meio de tudo e todos. Nunca 100% satisfeita, mas sem conhecer nada diferente, eu fui criando mecanismos de fuga para uma provável necessidade que eu tinha de ficar sozinha, quieta no meu canto, mas que nunca soube que tinha o direito de ter. Minha principal ferramenta sempre foi escrever. Eu era a garota dos diários. Eram diários de contos e fábulas, diários de sonhos, diários de dramas e paixões, diários de amizades perdidas, de medos, de vontades, de sonhos… Esses dias estava olhando meu livro de alemão que usei quando estava estudando lá do outro lado do oceano e, no meio das folhas soltas com exercícios e redações encontrei uma que não pertencia àquele universo. Eu li e, para começar, estava em português, depois, era algo tão singelo e tão sensível que se não estivesse escrito na minha própria letra…

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O que me encanta na cerâmica | Referências para esmaltação

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A cerâmica é uma paixão que cresce constantemente aqui dentro, sabe? Me sinto meio alquimista ao usar praticamente todos os elementos da natureza para produzir as peças que crio na imaginação. É a água que umedece a argila para que se torne maleável nas mãos, ela também que ajuda a corrigir imperfeições na modelagem, que ajuda a unir elementos modelados separadamente, que limpa tudo depois que o trabalho termina. A água que evapora aos pouquinhos para que a argila não trinque no processo de secagem física. Nesse processo também entra o ar, que suga a água para secar a peça, que refresca o ambiente quando o forno está ligado, que esquenta junto dentro do forno. É o ar, ou a falta dele, que em algumas queimas dá o resultado estético das peças. Aí tem o fogo, ou a eletricidade nos fornos elétricos, que leva a argila, o ar, os óxidos, os metais, os vidrados, esmaltes e tanta coisa, a temperaturas incríveis. É esse fogo que causa toda a transformação química das peças. É ele que dá cores e, por vezes, formas inesperadas, incríveis. Da argila, da terra, nem preciso falar. Ela que de maleável, até líquida dependendo do uso, chega a um estado de quase pedra. Ela que muda de cor, de forma, textura. Ela que é nosso chão, grosseiro e rústico, e que se transforma nas peças mais delicadas e sofisticadas. Dentro do processo de produção da cerâmica temos algumas etapas básicas a seguir: modelagem, primeira queima, esmaltação e segunda queima. Precisaria fazer um post inteiro apenas para descrever cada uma das etapas que eu conheço (que certamente não são todas as possíveis) e suas variáveis… Estou com algumas peças prontas para esmaltar, para pintar, ou seja, elas já passaram pelas duas primeiras etapas (a modelagem e a primeira…

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Mãos presentes.

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Me deixe te contar uma história. Era uma vez uma garota que cresceu aprendendo de tudo. Teve muitas oportunidades, fez natação, artesanato, computação. No colégio foi representante de turma, teve aulas de teatro e robótica. Em resumo, era a cultura em pessoa. A potencialidade em pessoa. Ela aprendia tudo, muito rápido. Bom, tudo o que interessava… O que não era pouca coisa. Um belo dia ela teve que escolher uma única coisa. Ela faria uma prova e teria que estudar por alguns anos esse único assunto e depois isso seria o que ela faria para o resto de sua vida (cof!). Ela não soube o que fazer. Não tinha nada assim… que ela quisesse escolher para o resto da vida. Ela optou pelo que algumas pessoas disseram que era a cara dela, fez a prova e estudou aquilo. No meio daqueles anos em que deveria se dedicar unicamente a esse aprendizado, ela cansou. Ela se deparou com pontos que contradiziam muito suas crenças pessoais, ela ia mudando, naturalmente, e as coisas muitas vezes foram ficando fora do ela queria para si. Foi ela, então, estudar de tudo um pouco novamente, conhecer o mundo e as coisas. Conhecer as pessoas. Um dia disseram para ela que teria que  trabalhar, justamente ela, que nunca precisou fazer nada em casa. Ela ja tinha trabalhado em colônias de férias no verão ou na loja do shopping para juntar uns trocos e não precisar pedir pro pai. Mas agora o mundo dizia que ela precisava se sustentar, ganhar dinheiro “de verdade”. Ela então foi trabalhar com aquele tema específico que tinha estudado um pouco naqueles anos subsequentes à escolha. A contragosto, se quer saber. Eventualmente precisou voltar a estudar mais sobre ele pois as pessoas ainda cobravam dela um papel. Um papel que dizia que ela tinha…

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Sobre pinturas rupestres e meu sonho de conhecer o Louvre

By | O universo da cerâmica | 5 Comments

Voce ja ouviu o discurso que Steeve Jobs fez em Stanford no dia da graduação de uma galera muito sortuda? Se não, pare de ler isso aqui texto um instante e clica aqui para assistir então. (Mas volta depois, ok?) Acho incrível a forma como ele linka todos os seus conhecimentos aleatórios para criar algo grandioso. Acho linda a forma como ele reconhece isso em sua própria história e faz disso seu maior diferencial. Ele é um dos meus ídolos por isso. Nem é por eu adorar meu mac, ou o iPad do Carlos. Eu nem mesmo gosto de iPhones, prefiro Android. Eu simplesmente adoro o Steeve pelo conteúdo deste vídeo. Eu sempre fui um poço de conhecimentos aleatórios, inúteis se vistos de forma isolada…  Mas eu acredito que esse meu repertório maluco é o que me faz especial. Cada um tem seu diferencial. Há quem seja bom em exatas, há quem seja excelente articulista. O próprio Carlos (o noivo), e um empresário incrível. Já eu, que não tenho habilidade nenhuma para as três coisas, sou assim, muita coisa num lugar só. Transbordando!   Em 2011 eu fui para a Europa. Minha primeira e única – até hoje… – viagem internacional. No meu roteiro de viagem eu tinha apenas 2 paradas obrigatórias: Wolfsburg e Paris. Mais especificamente, a fabrica da Volks e o Museu do Louvre. O resto deixei rolar. A Volks foi sim um passeio delicioso, mas não é o tema do post e não chega, para mim, aos pés de Paris. O Louvre é… A dream come true. O Louvre é o mundo todo, a história toda, tudo junto num só lugar. Não tenho palavras para descrever! A emoção de estar diante das obras magnificas que estudei na faculdade, cujos nomes, períodos históricos, contextos e histórias eu fui obrigada a decorar para as provas de Historia…

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O primeiro dia de feira

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“Eles dizem a que vieram.” Acho que a primeira coisa que eu quis ser na vida foi bailarina. Minha mãe conta que, quando pequena, eu só andava na pontinha dos pés. Isso lá com meus 2 anos de idade. Era um hábito tão frequente que ela achou que eu estava com algum problema motor, me levou no médico e esse, na sua experiência, olhou para mim e disse: Querida, ande com os pés inteiros no chão – e eu andei. Nenhum problema, mãe. Mas a vida passa, como areia escorrendo no meio dos dedos. E nesse escorrer do tempo e das coisas eu quis ser veterinária, bióloga marinha, cantora, paquita, química, estudiosa de filosofia, engenheira mecânica… Não necessariamente nessa ordem – tanta coisa que nem lembro mais. Acabei estudando para ser designer. De que, eu nem sei. De moda, gráfico, de produto, automobilístico (oi?). Na verdade eu não queria nada disso, sabe. Eu só estava no fluxo do mundo, tendo que escolher minha vida num catalogo que me deram no cursinho preparatório do famigerado vestibular. Aquela provinha que “avalia” o seu “conhecimento” sobre várias coisas que você jamais usará na vida… Sad, but true my friend. Meu irmão chama esse correr atrás de coisas que não fazem sentido de verdade para você de “remar conforme a maré”. Mas a vida da voltas, babe. E quando a gente se abre para as possibilidades assim, de peito aberto, e disposto a aceitar o que der e vier com um sorriso no rosto e as mangas levantadas, o universo conspira. Eu larguei os bets. Eu resolvi que não dava mais. Eu descobri que trabalhar num escritório, 8 horas por dia ou mais, na frente de um computador, fazer tarefas repetitivas… Ah! Isso tudo era uma violência contra mim mesma. Saí! Saí mesmo, assim, sem mais nem menos, sem nem saber o que é que eu ia fazer. E eu fui la fazer as aulas de cerâmica que estava querendo a um bom tempo, por hobby mesmo. Eu gostei. Gostei tanto…

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